Residência Barão de Saavedra – Arq. Lúcio Costa

A residência do Barão de Saavedra, projetada em 1942, é contemporânea de outros reconhecidos projetos de Lúcio Costa, como a Residência de Heloisa Marinho, também em Petrópolis, e a Residência Hungria Machado; no bairro do Leblon, Rio de Janeiro; atualmente consulado da Rússia.

O projeto, implantado em um grande terreno no bairro de Corrêas, entre a Estrada União Indústria e o Rio Piabanhas, é um exemplo da releitura que Lúcio Costa faz do colonial brasileiro, proposição que pode ser observada em outras obras do arquiteto, como o Hotel São Clemente de Nova Friburgo, RJ, ou ainda o Museu de Missões, em São Miguel das Missões, RS. Ao não se desprender totalmente de elementos característicos deste modelo arquitetônico, com a utilização de telhas capa/canal, as janelas com treliças tipo muxarabi ou ainda os austeros assoalhos de madeira em pinha de riga, o arquiteto busca no desenho atualizar ao contexto do modernismo o uso destes materiais.

A planta da edificação, em formato de L, se desenvolve quase em sua totalidade sob pilotis, a excetuar a área de serviço e o acesso. A área livre resultante da utilização deste recurso acaba por tomar a função de garagem, tal como sugerido pelo arquiteto em diversos desenhos. O formato da residência acaba por delimitar o seu relacionamento com o entorno imediato, sendo a face interna do L, que se volta para a rua, tomado em grande parte por zonas de circulação; e o que podemos definir como a zona de conforto da família, voltada para os pomares e o Rio Piabanhas, que faceiam a parte interna do L, e onde se desenvolve  a área íntima da casa.

A mão de Lúcio Costa se faz presente na residência não somente pelo desenho de arquitetura, mas também por soluções técnicas proposta especificadamente para o projeto. Na varanda íntima, o sistema de fechamento formado por lâminas fixas e pivotantes não é fruto de soluções prontas encontradas no mercado, mas sim do cuidado do arquiteto com os mínimos detalhes em sua obra.

A residência, ao longo do tempo, foi sofrendo uma série de desfigurações, que apesar de não apagarem totalmente o projeto de Lúcio Costa, eliminou muito de seus conceitos. A varanda principal, que se mostrava originalmente aberta, com guarda corpo treliçado, foi mudando gradativamente: em um segundo momento, fechada com esquadrias de madeira; e hoje; fechada com peitoril em alvenaria de tijolos maciços e panos de vidro, encimados por resquícios da proposta original do arquiteto. O acesso a mesma, anteriormente feita por escada aberta, que contrastava o branco e o concreto, hoje é realizado por meio de uma rampa em concreto aparente. Aquela que pode ser considerada a maior agressão ao projeto se configura na adição de uma nova ala a residência, com o intuito de ampliar a quantidade de quartos da mesma. Não foi possível identificar o momento exato desta mudança, transformando-a em uma casa pátio, e é de se supor que a mesma não teve a participação do arquiteto em sua concepção.

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