Residência de Veraneio – Arq. Rolf Hütter

Fachada Principal, com destaque para o acesso de veículos.

De acordo com a revista Habitat, está é uma das primeiras residências projetadas pelo então jovem arquiteto carioca Rolf Hütter, que anos mais tarde seria o responsável pelo projeto de ampliação da conhecida Clínica São Vicente, na Gávea, Rio de Janeiro. A residência, localizada no bairro de Nogueira, ocupa um pequeno terreno de esquina a beira do Rio Piabanha. A edificação possuía um forte relacionamento com o entorno, com a inexistência de muros na fachada principal, tendo a sala acesso direto a rua, e com muros baixos para a rua secundária e para o lote vizinho, expondo demasiadamente o pátio social e o íntimo, ponto criticado pelo artigo que apresenta o projeto, dado esta ser, como tantas outras aqui expostas, uma residência de veraneio onde a busca pela privacidade é uma constante.

Dispostas em dois blocos perpendiculares, o projeto da residência isola completamente o bloco íntimo das áreas de serviço e social, situação mais do que desejável em edificações deste cunho, reforçado ainda mais pelo desnível entre este e o resto da residência. A área de estar e jantar se agregam em um único ambiente, com acesso a ambos os pátios da residência por meio do hall principal. Por meio de um pequeno corredor este também dá acesso as áreas de serviço, que utiliza um pátio para separar as áreas de cozinha e lavanderia, e íntima, composta por 4 quartos, rouparias e banheiros. As texturas entre as paredes de alvenaria de tijolo e o branco de outras partes da residência forneciam um aspecto atrativo ao projeto, coroando o projeto.

As mudanças climáticas e geográficas ocorridas nos últimos 50 anos, aliadas a questões de privacidade, alteraram substancialmente o modo de utilização da casa e sua configuração. O relacionamento direto entre a residência e a rua foi totalmente eliminado, e hoje a mesma se esconde atras de um muro de 3 m, voltando-a completamente para o pátio íntimo. As constantes cheias obrigaram a utilização de portas estanque entre o passeio e a edificação, buscando barrar as águas, que segundo relatos já teriam chegado a pelo menos 1.2m de altura. Revestimento especial, a criação de uma garagem elevada,  e um terceiro pavimento no bloco íntimo completam as modificações, surgidas da necessidade de se conviver com as enchentes no bairro de Nogueira. A questão que fica é: isso é um problema recorrente da região desde a execução do projeto, ou apenas o retrato do quanto a ocupação desordenada das áreas próximas aos rios e a impermeabilização não criteriosa das áreas urbanas podem fazer com os rios de uma região?

2 comentários sobre “Residência de Veraneio – Arq. Rolf Hütter

  1. Renan Teixeira Silveira

    Esta casa já pertenceu a uma pessoa de minha familia, logo antes da descaracterização feita pelo atual proprietário. Era impressionante o aconchego da casa e perfeita integração da sala com o jardim da piscina. Vou procurar fotos da época e lhes enviar! Ótimo trabalho histórico do blog, virei grande fã.
    Abs,
    Renan.

    1. Erivelton Muniz Autor da Postagem

      Olá Renan. Ficaria muito feliz em ter acesso a outras imagens desta residência, visto que as disponíveis nas revistas de época não a destacavam devidamente. Agradecemos imensamente sua disposição

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WordPress Anti-Spam by WP-SpamShield